O assunto, nesta edição, é com os homens e, ao final, pode ser bom para a família toda. Levar o filho à escola pode parecer uma tarefa simples. Porém, o ato não se resume a deixar a criança no portão. Antes desse momento, é preciso escolher o uniforme, organizar a lancheira, ajudá-lo a escovar os dentes e amarrar o cadarço do tênis. É preciso conferir se os livros na mochila e se a lição de casa está feita.

Fazer as compras também é bem mais do que olhar na lista o que precisa ser tirado da prateleira. Antes, é necessário verificar o que tem na geladeira, fazer um planejamento da alimentação da semana e priorizar os produtos que estão perto da data de vencimento.

Ou seja: todas as tarefas domésticas, por mais que pareçam simples e rápidas, exigem organização e planejamento. Afinal, de nada adianta deixar o filho na escola sem o estojo e o caderno, ou fazer compras e chegar com produtos que já têm em casa.

Além disso, cuidar de todos esses aspectos demanda tempo, pesquisa e dedicação. Não culpe as mulheres por estarem estressadas: pensar em tudo é trabalho árduo! Tarefas cansativas que podem se atenuar quando o casal divide as obrigações. Não há justificativa para não ser atuante em casa.

O argumento de que os homens trabalham mais caiu por terra. De acordo com o portal do Governo Federal, em 2016 as mulheres passaram a ocupar 44% das vagas no mercado de trabalho formal. Portanto, elas também ficam fora de casa, chegam cansadas e ainda dividem as contas do lar.

A balela sobre os serviços domésticos serem “coisa de mulher” também não existe mais. Não é de hoje que estamos nos cargos de chefia, liderando empresas, lutas e revoluções históricas. Só falta dar um basta nos mitos sociais e contribuir para a igualdade.

Pesquisa da Plan Brasil realizada em 2014 com meninas de 6 a 14 anos, mostra que as disparidades no trabalho doméstico começam na infância. No levantamento, 81,4% das entrevistadas responderam que arrumam a própria cama, 76,8% lavam a louça e 65,6% limpam a casa. Entre os irmãos o número é diferente: apenas 11,6% arrumam a própria cama, 12,5% lavam a louça e 11,4% limpam a casa.

Com as tarefas que têm em casa desde crianças, as meninas têm menos tempo para os estudos e, dessa forma, a carreira profissional tem menos chance de decolar. Enquanto isso, os meninos seguem com tempo para se desenvolver nas áreas que desejarem e, ao chegar à vida adulta, se beneficiam da educação dada às mulheres.

Apesar de todas as mudanças que vemos na sociedade, as mulheres ainda estão sobrecarregadas. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), deste ano, aponta que as brasileiras trabalham 7,5 horas a mais que os homens, devido à dupla jornada.

É preciso que o homem tenha consciência de que também produziu o lixo que está na lixeira, sujou a louça na pia e usou as roupas que estão estendidas no varal. Não se trata de uma questão de vontade, mas de justiça. Mudar essa situação é um dever e estudos mostram que casais que dividem tarefas são mais felizes e confiam mais um no outro.

Não vale apenas tirar o lixo ou passar uma vassoura no chão quando convém – é necessário perceber a casa, se envolver no planejamento das tarefas e participar das tomadas de decisões, aliviando a carga mental da parceira. O machismo e os papeis de gênero são ensinados. E, se podemos ensinar o preconceito, também podemos ensinar a igualdade! Não dê brecha para o descaso, comece agora mesmo. Hoje à noite, a louça do jantar é sua.

Maria Beatriz de Castro - jornalista do Sindieletro/MG