Todos se lembram que as pedaladas fiscais foram a acusação legal para o golpe político que destituiu a presidenta Dilma. Agora, os mesmos parlamentares ensaiam um golpe um Minas Gerais contra o governador Fernando Pimentel, sobre o qual pesa a acusação principal de não não repassar as verbas necessárias para pagamento dos deputados estaduais e do judiciário.

Toninho Andrade, o Temer de Minas Gerais, faz parte de um jogo que tem por trás os senadores Aécio e Anastasia, testas-de-ferro de interesses do mercado financeiro internacional. Derrotados no primeiro turno da eleição estadual de 2014, a dupla tucana encontrou no diminuto vice-governador o aliado ideal para estender a Minas o mesmo golpe que ajudaram a emplacar em âmbito federal.

O governo de Pimentel está longe de ser o governo desejado pela esquerda e pelos movimentos sociais. Mas é inegável que abriu um caminho promissor para o diálogo com a população, e por isso passou a ser odiado pelas elites daqui e do resto do país. A verdade é que quando trabalhadores sem-terra, quilombolas e atingidos por barragens começam a ser ouvidos, a “casa-grande” entra em desespero.

Apesar do desgaste com os servidores públicos, que estão recebendo salários em até três parcelas, a opinião pública sabe que a crise fiscal foi gerada pela crise econômica iniciada em 2013 e pelo rombo das contas públicas dos os ex-governadores Aécio e Anastasia, que tentaram ocultá-la com a farsa do choque de gestão.

Por outro lado, a dívida da União com o Estado de Minas Gerais, relativa à compensação da Lei Kandir, se arrasta desde o governo FHC. Fato esse agravado pela posição assumida pelos golpistas de Brasília, com o aval de seus defensores em Minas, que impediram covardemente a continuidade do contrato de concessão das usinas da Cemig e ainda fazerem vistas grossas ao não repasse de verbas constitucionais para Minas, como vem acontecendo na área da Educação.

O processo de impeachment na Assembleia Legislativa está de molho, mas, dependendo do grau de chantagem que o presidente do Legislativo sofrer, pode tramitar rápido. Excetuando as articulações obscuras, cujo terreno ninguém tem governança, só o apoio popular pode deter o impeachment. Penso que, para que a vontade expressa pelos mineiros, nas urnas, em 2014, seja mantida até o final de seu mandato, o governador Pimentel precisa repactuar as forças de seu governo, tendo como referência o apoio e o desejo de quem o escolheu democraticamente.

A meu ver, dentre as possibilidades de negociação com a base de apoio, a exploração do nióbio, que seria alterada com a venda de ações da Codemig, deve ser repensada. Mais que nos gabinetes dos palácios, a soberania política e econômica de Minas pode reencontrar sua força no subsolo de Araxá. Além disso, Pimentel não deve se abster de “cortar na carne”, mesmo que tenha que se desfazer de auxiliares importantes de seu governo. Não é um custo grande se se quer preservar os legítimos e históricos interesses dos mineiros.