O alerta foi dado em 2013. As manifestações de rua demonstraram claramente a insatisfação com as representações e instituições do sistema político brasileiro, como já vinha ocorrendo em várias partes do mundo. No ano seguinte, o resultado das eleições de 2014 marcou o início da crise política que engole o Brasil. Naquele pleito, o PT, coligado com o PMDB, reelegeu Dilma Roussef à presidência da República, por uma pequena diferença de votos. Os aliados do perdedor Aécio, não aceitaram o resultado das urnas e iniciaram uma guerra para alterar as regras do jogo.

Muitos se esquecem, no entanto, que o resultado das eleições para o Legislativo - especialmente Câmara dos Deputados e Senado, alterou a composição do Congresso Nacional. Candidaturas conservadoras foram vitoriosas, reduzindo a bancada aliada aos trabalhadores e aos setores progressistas da sociedade. E o que vimos desde então foi o Legislativo, a mídia e o Judiciário (esse, sobrepondo-se aos demais), atuarem para esgarçar a democracia. Todos sabem, mas poucos prestam atenção: o país é governando por três poderes, não apenas pelo Executivo. Toda a destruição provocada pelas reformas de Temer é fortemente apoiada pelos parlamentares vitoriosos nas eleições de 2014.

Digo isso para destacar a oportunidade das próximas eleições para a recuperação do espaço perdido pela esquerda, e seus aliados de centro, com vistas a reconstruir as bases de um novo Legislativo. A eleição para as duas vagas de senador, por exemplo, pode ter uma importância tão grande quando a do presidente da República ou do Governador. Os embates da esfera pública tem nas instituições representativas um espaço importante de repercussão; no Senado, tem-se maior possibilidade de um debate qualificado, que ultrapasse a prática do “toma-lá-dá-cá” da Câmara. É onde os interesses nacionais e os interesses dos Estados, enquanto unidades da Federação, podem ser mais claramente defendidos.

Mas a eleição não pode ser um espaço apenas de busca de votos, precisa voltar a ser um espaço de debate de ideias e de programa para o País. Nesse sentido o Programa de Emergência da Frente Brasil Popular é a melhor referência para envolver os eleitores interessados e despertar os desinteressados, num rico processo de discussão de propostas transformadoras para o Brasil.

Uma boa candidatura ao Senado, preferencialmente de um nome desvinculado dos atuais detentores de mandato, pode fazer a diferença, agregando os novos e os novíssimos movimentos, negando as práticas de campanhas eleitoreiras e recuperando a política como ação necessária para a vida em sociedade. No caso de Minas Gerais, triplamente fraca na legislatura atual do Senado da República, essa estratégica torna-se ainda mais adequada. Pode até não se eleger ninguém, mas cumpriria-se um papel político extremamente necessário na conjuntura atual, de democratizar a opinião pública e de qualificar representação política.

Por Aloísio Lopes - jornalista