Minas são muitas, mas as oportunidades para expressar tanta diversidade, nem tanto. Numa análise, ainda superficial, é visível a dificuldade de aproveitamento adequado dos canais de integração entre as regiões do Estado. Falo, principalmente, da ausência de uma estratégia de comunicação alinhada com o planejamento estatal e com a diretriz política que foi escolhida pela população no pleito de 2014, traduzida pela máxima “ouvir para governar”.

Fernando Pimentel fez mudanças na administração estadual, promovendo um reordenamento territorial que está em fase de consolidação. Nesse processo, os 17 Territórios de Desenvolvimento, se constituem, também, em Territórios de Cidadania. Alcançar esse patamar, no entanto, depende de instrumentos eficazes. Um deles, a comunicação pública, surge como um caminho natural e necessário. Por ela, as vocações de cada região se fortalecem, os saberes são intercambiados, a informação flui, abrindo portas para outros direitos, e a participação social se robustece. As campanhas educativas em saúde, meio ambiente, assistência social, direitos humanos, agricultura familiar, turismo, relações regionais (e porque não internacional?) se projetam e as relações do cidadão com os gestores se democratizam. Enfim, estimula-se a expressão da diversidade cultural, econômica, política e étnica de nossa população. Isso, é claro, não é feito pela mídia comercial: depende de política pública para acontecer.

O Estado tem instrumentos para construir uma virtuosa rede de comunicação pública. Por meio dos veículos da nova Empresa Mineira de Comunicação (EMC), abre-se uma grande oportunidade de desenvolver a colaboração com outros veículos do campo público. (comunitários, universitários, educativos), presentes em todos os territórios. Mais que isso, estimula-se os pequenos empreendimentos de comunicação, valoriza e potencializa as iniciativas da sociedade civil e abre espaço para o uso das novas tecnologias da informação e comunicação por públicos que ainda não usufruem dela.

É provável que o governador não tenha sido alertado para o potencial que o próprio Estado possui nessa área. A alta burocracia, absorta com a gestão da máquina, não tem olhos para isso. Implementar uma política pública de comunicação, de modo intersetorial e cooperativo, depende muito mais da sensibilidade para se pensar o futuro além de um mandato eletivo, do que de recursos financeiros.