Na última terça-feira (7), o jornalista Juca Kfouri esteve em Belo Horizonte para lançar seu livro "Confesso que perdi". O evento aconteceu no Pátio Savassi.

A obra reúne memórias de sua carreira profissional e traz histórias de sua militância política, especialmente durante o período da ditadura militar, além de tratar, é claro, sobre o futebol brasileiro.

Em entrevista ao portal Minas Livre, Juca contou um pouco mais sobre a obra e também fez uma breve análise sobre a situação da política e do futebol brasileiro, a partir de sua história experiência profissional.

Juca Kfouri

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP, mas fez carreira como jornalista. Foi diretor das revistas Placar e Playboy e colunista dos jornais O Globo e Folha de São Paulo. Como comentarista esportivo, passou por várias redes de televisão e atualmente está na ESPN-Brasil e na Rádio CBN. É autor dos livros "A Emoção Corinthians" (1982), "Meninos eu vi" (2003) e "Por que não desisto" (2009).

Minas Livre: A primeira impressão do livro "Confesso que perdi" é que, apesar do título sugerir uma biografia, o livro na verdade não trata exatamente de uma derrota pessoal ou profissional? É isso mesmo?
Juca Kfouri: É um livro de memórias, não necessariamente uma biografia. Na verdade, é um livro onde eu conto um pouco da minha carreira de mais de 40 anos como jornalista e falo das coisas que acompanhei tanto no futebol quanto na política brasileira. Falo de memórias minhas, mas não é um livro de histórias pessoais, da minha mulher ou filhos. São memórias da minha vida profissional e política.

ML: Há algum motivo especial para reunir histórias sobre futebol e política no livro? Acredita que há algo em comum nos problemas que temos em ambas as áreas?
JF: Eu acho está interligado, na medida em que eu sou jornalista que cobre futebol e na minha vida inteira fui militante político. Inclusive, militante em organização clandestina contra a ditadura militar. Então, eu conto essas histórias que estão, evidentemente, interligadas porque a política interliga tudo.

ML: Como o senhor avalia sua história profissional e sua militância e as mudanças e incômodos que isso trouxe para o futebol quanto para a política brasileira?
JF: Então, aí está a explicação para o título do livro. Para quem sonhou o que eu sonhei há 50 anos atrás, o Brasil está a léguas de distância do que eu gostaria que estivesse. E o futebol brasileiro também. O futebol brasileiro é um antro de corrupção e o País é um país que continua tão ou quase tão injusto como era quando eu comecei a militar politicamente.

ML: E o senhor acha que as coisas estão piorando, tanto na política quando no futebol?
JF: Sim, com certeza. Nos últimos três anos, certamente regredimos uns 30.

ML: Apesar do título do livro, o senhor acredita que há espaço para uma mudança? Essa "derrota" pode ser revertida ou superada?
JF: Eu acho que sim. Se eu não acreditasse nisso, eu largava o jornalismo. Seria publicitário e iria ganhar dinheiro.

ML: Então, "Confesso que perdi" trata de uma perda momentânea?
JF: Exatamente, como diz um amigo meu: confesso que perdi, mas fui roubado.