Sentença foi divulgada na madrugada desta sexta-feira; Adriano Chafik pegou 115 anos de prisão e Washington da Silva foi condenado a 97 anos

 

Representantes do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) comemoraram na madrugada desta sexta-feira (11) a decisão dos jurados sobre dois dos cinco réus no processo do Massacre de Felisburgo. Adriano Chafik Luedy e Washington Agostinho da Silva foram condenados por homicídio qualificado, lesão corporal, incêndio e formação de quadrilha, mas foram absolvidos em relação à tentativa de homicídio contra cinco vítimas.

Segundo o líder do MST, Silvio Netto, a decisão dos jurados pela condenação dos réus foi unânime e representa mais uma vitória para os trabalhadores sem terra. "O latifúndio e o agronegócio foram condenados, enquanto a reforma agrária e a organização popular foram absolvidos. Esse foi um passo importante rumo à Justiça para Felisburgo", exalta.

Chafik pegou 115 anos de prisão, enquanto Washington foi condenado a 97 anos e seis meses de cadeia, ambos em regime fechado. No entanto, em função de um habeas corpus do Superior Tribunal de Justiça (STJ), eles deixaram o Fórum Lafayette em liberdade. Além disso, eles poderão recorrer da sentença fora da cadeia e o alvará de prisão será expedido somente após transitada em julgada a decisão.

"Mesmo com uma condenação de mais de 100 anos, Adriano Chafik continua solto. Então, a gente considera que a Justiça só será feita com a cadeia para ele, que é mandante e executor dos crimes. E também quando for concluído o processo de desapropriação e assentamento das famílias que vivem até hoje no acampamento Terra Prometida", defende Silvio Netto.

Questionado se acredita que a Justiça falhou ao deixar soltos os réus condenados, Silvio respondeu que a Justiça é parcial. "Eu não diria que a Justiça falhou, eu diria que a Justiça tem lado. Trata-se de uma Justiça classista e não é da classe trabalhadora. Constantemente, a Justiça brasileira dá provas de que está a serviço das elites. Então, manter Adriano Chafik solto e com a possibilidade de recorrer em liberdade apenas reforça isso".

Centenas de trabalhadores sem terra vieram de Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha, e de vários outros municípios do Estado para acompanhar o julgamento. Eles estão acampados no pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e devem retornar hoje para suas cidades. Na quinta-feira, eles realizaram protestos em frente ao Fórum Lafayette pedindo a condenação dos réus.

Outros réus

Além de Adriano Chafik e Washington Silva, outros dois réus ainda serão julgados por participação no Massacre de Felisburgo. Francisco Rodrigues e Milton Francisco de Souza tiveram o processo desmembrado durante uma manobra jurídica da defesa de Chafik e só devem ser julgados em 23 de janeiro de 2014. Um quinto acusado de envolvimento nos crimes morreu antes de ser julgado.

Massacre de Felisburgo

Réu confesso, Adriano Chafik teria comandado o ataque de pistoleiros que invadiram o acampamento Terra Prometida, em Felisburgo, e atearam fogo em barracos e plantações em 2004. As cinco vítimas foram executadas com tiros à queima-roupa e outras 12 pessoas, entre elas uma criança, ficaram feridas. Chafik conseguiu, poucos dias depois da confissão, por meio de habeas corpus, responder ao processo em liberdade. Ele chegou a ter a prisão decretada novamente após o último adiamento do júri, em agosto deste ano, mas acabou sendo solto dias depois.