Sem água encanada, rede de esgoto ou de energia elétrica. Essa é a realidade de quase 25 mil famílias que vivem em ocupações urbanas na região metropolitana de Belo Horizonte. O levantamento foi realizado pela CPT (Comissão Pastoral da Terra), órgão que atua junto aos governos municipais e estadual para garantir que essas famílias não sejam despejadas arbitrariamente dos terrenos ocupados.

Belo Horizonte reúne a maior parte das pessoas vivendo de maneira precária em ocupações irregulares. Ao todo são pouco mais de 28 mil famílias que dividem terrenos e até mesmo barracos para garantirem sua sobrevivência. As maiores ocupações são da Isidora (Rosa Leão, Vitória e Esperança), na divisa da capital com o município de Santa Luzia que, segundo o estudo, reúne aproximadamente 8.000 famílias, as ocupações no Anel Rodoviário da capital, com cerca de 6.000 famílias, e a do Novo Lajedo, no bairro Ribeiro de Abreu, também na região norte de BH, onde cerca de 10.000 famílias dividem um terreno.

Segundo o assessor da CPT, Frei Gilvander Luís Moreira, a moradia em ocupações cresceu muito em Belo Horizonte e região metropolitana nos últimos dez anos em razão, principalmente,da especulação imobiliária. Ele explica que diariamente surgem novas ocupações espontâneas devido, principalmente, ao peso do aluguel é muito alto.

"Isso explica, por exemplo, o surgimento de grandes ocupações urbanas na região em 2013, como foi o caso da Isidora e da ocupação William Rosa, em Contagem, que já chegou a ter até 3.000 mil famílias, mas que hoje abriga cerca de 450. No caso da Isidora, em três anos, as famílias construíram 5.000 barracos e economizaram milhões de reais em aluguel (em média R$ 600), energia (em média R$ 150) e água (em média R$ 100)".

Ainda segundo Moreira, o número total de famílias em ocupações na região metropolitana pode chegar a 30.000. No entanto, os dados apresentados pelos movimentos sociais divergem muito se comparados ao cadastro realizado pelas prefeituras. No caso da PBH (Prefeitura de Belo Horizonte), números divulgados pela Urbel (Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte) dão conta de que 10.760 famílias vivendo em nove ocupações urbanas na capital.

Porém, a própria instituição admite que o levantamento não reflete a realidade da capital mineira ao ressalvar que "os dados foram coletados no ano das invasões. Ou seja, eles podem ter aumentado por conta do grande volume de pessoas que tem se deslocado para essas áreas". Dessa forma, não é possível saber ao certo quantas pessoas estão morando em ocupações.

Já o governo do Estado, não tem dados sobre o número de pessoas que vivem em ocupações na Grande BH, mas informou que está realizando um levantamento ainda sem previsão de conclusão. O órgão informou ainda que, atualmente, trabalha apenas com o dado da FJP (Fundação João Pinheiro) de déficit habitacional, que de acordo com o último levantamento divulgado em 2013, era de 140.707 pessoas vivendo em habitações precárias ou em situação de coabitação familiar, de ônus excessivo com aluguel ou de adensamento excessivo de moradores em domicílios alugados na Grande BH

Cenário em Minas

Além da Grande BH, há pessoas vivendo ocupações urbanas por todo o estado de Minas, especialmente no Triângulo Mineiro e no Vale do Aço. Segundo Frei Gilvander Luís, apenas em Uberlândia, quarto município mineiro com a maior participação no PIB (Produto Interno Bruto) estadual no ano de 2010 e 2011 e 29ª cidade com maior participação no PIB nacional, concentra 15 mil famílias vivendo nessas condições.

 

MAPA DE OCUPAÇÕES POR MOVIMENTOS DE MORADIA NA MALHA URBANA DAS RMBH*

 Mapa Ocupações Urbanas

 

Belo Horizonte – 17.170 famílias

1 - Ocupação Dandara, no bairro Céu Azul, em Venda Nova

2 - Ocupação Isidora (Rosa Leão, Esperança e Vitória), na região norte de BH, divisa com o município de Santa Luzia,

3 - Ocupação Novo Lajedo, no bairro Ribeiro de Abreu, na região norte,

4 - Ocupação Terra Nossa, no bairro Taquaril, na região leste,

5 - Ocupação Novo São Lucas, no bairro São Lucas, na região centro-sul

6 - Ocupação Pomar do Cafezal, no Aglomerado da Serra, na região centro-sul

7 - Ocupação Zilah Spósito/Heleca Greco, no bairro Zilah Spósito, na região norte,

8 - Ocupação Camilo Torres, no Barreiro

9 - Ocupação Irmã Dorothy, no Barreiro,

10 - Ocupação Eliana Silva, no Barreiro,

11 - Ocupação Nelson Mandela, no Barreiro,

12 - Ocupação Paulo Freire, no Barreiro,

13 - Ocupação Olaria, no Barreiro,

14 - Ocupação Montes Claros, ao lado do Conjunto Paulo VI, região nordeste,

15 - Ocupação Tiradentes, ao lado do Conjunto Paulo VI, na região nordeste,

16 - Ao longo do Anel Rodoviário de BH há 36 ocupações,

17 - Ocupação no Anel Rodoviário, próximo ao bairro Betânia, na região oeste,

18 - Ocupação Corumbiara, no Barreiro,


Betim – 540 famílias

19 - Ocupação Dom Tomás Balduíno,

20 - Ocupação 1º de Maio,

21 - Ocupação Shekinah,


Contagem – 630 famílias

22 - Ocupação William Rosa,

23 - Ocupação Guarani Kaiowá,


Ibirité - 57 famílias

24 - Ocupação Barreirinho,


Igarapé – 500 famílias

25 - Pelo menos 500 famílias vivendo em ocupações urbanas


Nova Lima – 500 famílias

26 - Ocupação Canta Galo,

27 - Ocupação Acaba Mundo,


Ribeirão das Neves – 700 famílias

28 - Ocupação Tomás Balduíno,

29 - Ocupação Novo Horizonte,


Santa Luzia – 1.900 famílias

30 - Parte da Ocupação Vitória,

31 - Parte da ocupação Esperança,

32 - Parte da Ocupação Rosa Leão,

33 - Ocupação Nova Conquista,


São José da Lapa - 150 famílias

34 - Ocupação Nova Cachoeira

 

*Levantamento realizado pela Comissão Pastoral da Terra; há informações de que há ocupações irregulares em todas as 34 cidades da região metropolitana, mas não há dados registrados

 

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