Na última terça-feira (17), aproximadamente 300 famílías do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Belo Horizonte. A ação fez parte de uma jornada nacional do MST realizada desde segunda-feira (16), no dia Mundial da Alimentação Saudável.

No caso de Minas Gerais, as reivindicações do movimento são o assentamento das 7 mil famílias acampadas no Estado e o fim dos despejos. Segundo a organização do MST, há 14 áreas em Minas, com aproximadamente 3500 famílias, que estão sob ameaça de perder suas casas e plantações.

O MST exigiu também que o Governo Estadual pague as três áreas emblemáticas, em conflito há quase duas décadas: Ariadnópolis, em Campo do Meio; Gravatá, em Novo Cruzeiro; e Nova Alegria, em Felisburgo. Conforme o movimento, essas regiões foram desapropriadas para a Reforma Agrária em 2016, mas até hoje estão pendentes.

Além das reivindicações, as famílias denunciaram a impunidade sobre o Massacre de Felisburgo, ocorrido em 2004 na antiga fazenda Nova Alegria, na região do Vale do Jequitinhonha. O mandante Adriano Chafik, condenado a 229 anos, teve a prisão decretada, mas está foragido.

Segundo a assessoria de imprensa do MST, o movimento não recebeu nenhum compromisso do superintendente do Incra em Minas. No entanto, em Brasília, houve o compromisso de descontingenciamento do orçamento para reforma agrária ainda este ano.

Jornada de Lutas

Ao longo desta semana, o MST realizou mais uma jornada de luta em defesa da Reforma Agrária Popular, contra os retrocessos na reforma da previdência rural, contra o corte no orçamento da reforma agrária, e pela soberania alimentar. Além de Minas, foram realizados atos em Brasília, Ceará, Piauí, Porto Alegre, Pará, entre outros estados.