A Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT-MG) e mais 15 sindicatos lançaram e apresentaram à imprensa, nesta quinta-feira (5), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), um manifesto que cobra dos deputados estaduais a instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Helicóptero. Uma barraca foi instalada na Praça Sete, Região Central de Belo Horizonte, para coletar em torno de 100 mil assinaturas em um abaixo-assinado que pede que a Assembleia Legislativa esclareça para o público como um funcionário contratado pela casa se envolveu com o tráfico de drogas e por que se permitiu o uso de verba pública para abastecer o helicóptero da empresa do deputado Gustavo Perrella prestar um serviço particular. A aeronave, apreendida pela Polícia Federal no Espírito Santo, transportava quase meia tonelada de cocaína.

“Queremos cobrar uma postura da Assembleia, uma resposta mais objetiva e transparente. Houve uma sucessão de escândalos e nada aconteceu nesta casa. Quanto ao manifesto, vamos buscar o apoio de mais sindicatos, movimentos sociais, entidades como a OAB”, afirma a presidenta da CUT/MG e coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Beatriz Cerqueira. Ela afirma que o piloto responsável pelo transporte da droga foi demitido, mas não foi ouvido pelos deputados. “Um deputado é proprietário de um veículo em que foram apreendidos quase meia tonelada de cocaína e usou verba pública em frete particular. A empresa é a mesma envolvida na fraude da merenda escolar. Houve malversação de dinheiro público e uma CPI faria uma apuração rigorosa”, completa.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol), Denilson Martins, também critica a omissão na ALMG. “Houve queda de decoro parlamentar, no mínimo. É inadmissível que os deputados continuem em silêncio. A Comissão de Ética não faz nada, só existe morosidade, letargia”, frisa. Ele afirma que o movimento sindical não vai consentir com esse silêncio, mas mobilizar e conscientizar os deputados, lembrando que eles correm risco de serem desmoralizados, caso não apurarem tudo. Para ele, o caso envolve crime organizado. “Acreditamos que em 30 dias podemos coletar 100 mil assinaturas no abaixo-assinado. Vamos mostrar aos parlamentares que o povo não está dormindo”, destaca.