A Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG) e as entidades CUTistas repudiam mais uma ação repressiva da Polícia Militar (PM), que agiu com a truculência habitual reprimiu as manifestações dos trabalhadoras e trabalhadores de rua que protestam, desde segunda-feira (3), por terem sido retirados, arbitrariamente, do Centro de Belo Horizonte. Expulsos do mercado formal de trabalho, eles buscavam nas ruas da capital, com a venda de meias, frutas, chocolates, balas e outros produtos, as condições mínimas de sobrevivência de suas famílias.

Sabemos que ninguém está no trabalho informal porque quer. Ciente desta situação limite, que leva a lutar contra a fome e outras necessidades e que envolve pessoas que têm fome, nome, rosto e direitos, a Prefeitura de Belo Horizonte tem a obrigação de encontrar soluções que não levem a um confronto desproporcional de trabalhadoras e trabalhadores com tal aparato repressivo e não exponham a população da capital a uma praça de guerra, que poderia levar a consequências imprevisíveis. Foram pelo menos três pessoas feridas. Uma delas uma criança que passou mal com gás lacrimogênio, porque o comando da PM não pensou que havia muitas crianças e mães no local.

Num protesto mais do que justo, trabalhadoras e trabalhadores resistiram e foram atacados pela prefeitura e pelo governo do Estado, representado pelos pelotões do Batalhão de Choque armados com bombas, balas de borracha e com o apoio do Caveirão, um blindado que nos traz a triste memória das forças repressivas da ditadura militar. Os manifestantes são vítimas da higienização do Centro de Belo Horizonte que prefeito Alexandre Kalil tenta impor, a despeito dos 15 milhões de desempregados atualmente no país e de um governo golpista que não fará qualquer política para geração de empregos. Deles não foram respeitados o direito de negociar alternativas de sustento, mas imposta a transferência de alguns, não de todos, sem prazo definido, para shoppings populares, opções que muitos já foram obrigados a abandonar, por não atender às condições mínimas de exercer seu trabalho.

A CUT/MG e toda a base CUTista se solidarizam com os trabalhadores e as trabalhadoras, que, seguramente, não estão sós nesta luta.

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