Com arte, shows, intervenções culturais, venda de alimentos orgânicos e produtos da reforma agrária, além de pratos da tradicional culinária mineira, o Circuito de Arte e Cultura da Reforma Agrária levou centenas de pessoas à Serraria Souza Pinto, em Belo Horizonte, entre os dias 6 e 8 de outubro.

Um dos objetivos do evento, segundo a Esther Hoffmann, da direção nacional do MST, é mostrar à sociedade a produção, seja de alimentos, seja da cultura, construída nos assentamentos da reforma agrária por todo o País. "O Circuito é uma ferramenta de construção da política de reforma agrária popular".

Entre as apresentações culturais próprias do povo sem terra estavam a Folia de Reis, rodas de capoeira e mostras de produtos, bordados e alimentos produzidos nas diversas regiões de Minas.

O Circuito de Arte e Cultura da Reforma Agrária está acontecendo desde setembro em todo o Estado e, além de Belo Horizonte, já passou pelas cidades de Governador Valadares, Montes Claros e Alfenas.

Programação

Um ato político na abertura do evento, na sexta-feira, reuniu apoiadores Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A mesa contou com diversas representações das secretarias de governo, da Mesa de Diálogos e Conflitos do estado e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Também estavam presentes o vice-prefeito Paulo Lamac, que anunciou ter fechado contrato com a agricultura familiar para a merenda das escolas municipais, e Maíra Colares, secretária de Assistência Social.

Também participaram da abertura parlamentares como o deputado estadual, André Quintão (PT), a presidente do PT, Cida de Jesus, bem como representantes de movimentos sociais como as Frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, a Articulação Regional de Agroecologia, o Levante Popular da Juventude, o Sindicato dos Eletriciários de Minas Gerais (Sindieletro-MG), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Marcha Mundial das Mulheres (MMM), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e o Movimento Pela Soberania Popular da Mineração (MAM).

No sábado (7), o MST promoveu a conferência “Silvino Gouveia: Alimentar e um ato político” com participação da chef do Bar da Dona Onça, Janaína Rueda, a integrante do MST, Débora Nunes, e o ex ministro da saúde, Alexandre Padilha, além da professora da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Irene Cardoso.

A mesa foi em homenagem a Silvino Nunes Gouveia, que era dirigente do MST no Vale do Rio Doce e, no início deste ano, foi brutalmente assassinado com dez tiros no município de Periquito. Ele morava próximo ao Assentamento Liberdade e o crime ocorreu a 50 metros da casa do trabalhador.