Após o encerramento do Plano de Demissão Voluntária (PDV), a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) demitiu 24 trabalhadores com idade para se aposentarem (mulheres com mais de 50 anos de idade e 30 de contribuição junto ao INSS e homens com mais de 55 anos de idade e 35 de contribuição). O anúncio dos desligamentos ocorreu na última sexta-feira (20).

Segundo o coordenador geral do Sindicato dos Eletricitários de Minas Gerais (Sindieletro/MG), Jefferson Leandro Silva, a prática já vinha ocorrendo na gestão anterior da Cemig e foi retomada agora, quatro dias após o encerramento do período de adesão ao PDV. "Os trabalhadores receberam uma carta e foram comunicados do desligamento pelos seus gerentes de forma arbitrária".

Ainda conforme Jefferson Silva, alguns dos demitidos procuraram o Sindicato e devem entrar com ações judiciais de reintegração. Além disso, o caso já foi denunciado à própria diretoria da Cemig, ao governo de Minas e à Assembleia Legislativa do Estado.

"Estive com o presidente da empresa e ele afirmou que essa era uma política já adotada anteriormente na empresa e que a atual diretoria entende que é necessária em razão do quadro envelhecido de trabalhadores. No entanto, não é um quadro envelhecido, mas um quadro experiente", afirmou ele.

"Em pouco mais de um ano, a Cemig perdeu 1.100 trabalhadores com demissões arbitrárias e saídas pelo PDV. Em alguns casos, equipes inteiras deixaram de existir e não houve transferência de conhecimento porque não estão sendo realizados concursos publicos", completou o dirigente sindical.

Atualmente, há um concurso em aberto para a contratação de 41 eletriciários. Mas, o Sindieletro pretende cobrar da Cemig a contratação de mais empregados, uma vez que o concurso tem validade de dois anos. Antes desse, o último concurso realizado foi em 2012, ou seja, há cinco anos e admitiu 800 novos trabalhadores.

"Quando eu entrei na Cemig, em 1993, tínhamos cerca de 18 mil trabalhadores na empresa. Hoje, temos pouco mais de 6.000", afirmou o coordenador do Sindieletro. Isso porque, além da redução de pessoal, boa parte do quadro foi terceirizado.

Campanha salarial

Em campanha salarial desde o início do mês, os eletricitários entregaram suas reivindicações à diretoria da Cemig no último dia 9. Desde então já tiveram uma primeira rodada de negociação e aguardam uma resposta da empresa à pauta da categoria.

Entre as reivindicações estão a realização de concursos públicos, a garantia dos empregos, reajuste salarial, sendo a principal delas que a empresa não adote nenhuma cláusula da nova legislação trabalhista que passa a vigorar no Brasil a partir de 11 de novembro. "Nossa expectativa é, inclusive, fechar esse acordo até 10 de novembro para evitar que a empresa tente retirar direitos da categoria".

A pauta também exige que a Cemig tome providências extrajudiciais e judiciais para reversão da perda da concessão das usinas de São Simão, Jaguara, Miranda e Volta Grande, leiloadas pelo Governo Federal em setembro deste ano.