Projeto de gasoduto entre Queluzito e Uberaba teria dimensões acima das necessárias para atender a fábrica de amônia, encarecendo sua construção para o Estado

 

O projeto do gasoduto elaborado pela Cemig e pela empresa espanhola Fenosa tem um valor estimado de R$ 2,4 bi. Com uma extensão de 530 quilômetros, terá capacidade para conduzir três milhões de metros cúbicos de gás, da cidade de Queluzito, na região das Vertentes, passando pelo centro-oeste mineiro, até chegar à Uberaba, no Triângulo, onde vai atender uma unidade de fertilizantes fosfatados, conhecida como fábrica de amônia da Petrobras.

O diâmetro do gasoduto, de 24 polegadas, estaria superdimensionado, segundo informações que a reportagem do Minas Livre apurou junto a técnicos do setor. Para que o gás chegue na pressão desejada bastariam 14 polegadas. Poderia ser construída uma estação de compressão no meio do caminho, por R$ 50 milhões, para eventual queda na pressão. A diferença de diâmetro aumenta o valor em R$ 1 bilhão.

“Por que gastar mais sem necessidade técnica?”, pergunta Jairo Nogueira, coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais. Ele defende transparência na elaboração e aprovação do projeto para evitar prejuízos futuros aos consumidores.

Um outra opção, ainda mais barata, está temporariamente parada devido a disputas políticas entre o governo de Minas e o de São Paulo. O gasoduto que traz o gás da Bolívia passa pelo interior de São Paulo, o que tornaria viável construir um ramal de Ribeirão Preto a Uberaba, cuja distância é de apenas 180 km. Mas o governo de São Paulo, comandado por Geraldo Alckmin (PSDB), não concordou em conceder a distribuição do gás na região para transporte até Minas Gerais, em retaliação à disputa política com o governador mineiro Antonio Anastasia e o senador Aécio Neves (ambos também do PSDB) pela instalação da fábrica de amônia. Neste caso, a Gasmig iria se associar à distribuidora Gás Brasiliano para viabilizar a obra, que teria um custo aproximado de R$ 473 milhões, equivalente a 20% do custo estimado do projeto que está sendo elaborado pela Cemig com os espanhóis.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a Advocacia Geral da União (AGU) também dificultaram a negociação, sob a alegação de que a nova Lei do Gás não prevê gasodutos interestaduais. Interessante é que ninguém teve a ideia de mudar a lei. Em vez disso, preferem mudar a Constituição. Se o interesse público prevalecesse, os nós político e jurídico poderiam ser facilmente desatados em benefício dos cofres públicos e da população.

O ramal de Ribeirão Preto a Uberaba seria parte de um projeto da Transportadora de Gás Brasil Central (TGBC), que obteve licenciamento ambiental e de instalação de um gasoduto de São Carlos até Brasília, numa extensão de 905 km. Apesar de maior no tamanho e na capacidade, seu custo estimado é de R$ 2,2 bi, menor que o custo do gasoduto que pretendem construir em Minas.

 

 

Gasoduto

Dimensão

Extensão

Custo

Opção 1

Ribeirão Preto - Uberaba

bitola 14’

180 km

R$ 473 mi

Opção 2

Queluzito - Uberaba

bitola 14’

530 km

R$ 1.420 bi

Opção 3

Queluzito - Uberaba

bitola 24’

530 km

R$ 2,43 bi

OBS: o custo de mercado por metro polegada é de US$ 85

 

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