O título é alarmante, mas o risco é real. A gravíssima crise hídrica que atinge o Distrito Federal, poderá se estender por meses, comprometendo a realização do Fórum Mundial da Água, que acontece em março de 2018, na capital federal.

O Sistema Descoberto, responsável por 65% do abastecimento de água no DF, está com capacidade abaixo de 10%. Em outubro teve início a captação do Lago Paranoá, debaixo de muitas críticas, devido ao grau de poluição do lago que, desse a fundação de Brasília, destinou-se a fins turísticos. A crise, prevista há 12 anos, agora atingiu um limite perigoso.

O problema atinge diversas regiões do país. Em Minas Gerais, são dezenas de cidades com racionamento no fornecimento de água potável. O tema foi recorrente no workshop realizado de 24 a 27 de outubro, em Belo Horizonte, por um grupo de pesquisadores, liderados pela UFMG. Seus estudos buscam construir uma modelagem para monitoramento de mananciais estratégicos em regiões metropolitanas. Na Grande BH, as pesquisas se concentram nos mananciais de Serra Azul e Vargem das Flores. Na sessão de pôsteres, um dos estudos, em andamento, que me chamou a atenção, é sobre o transporte de contaminantes na bacia de
Vargem da Flores (que engloba partes dos municípios de Contagem e Betim). Resultados preliminares apontam que o derrame de combustíveis no futuro Rodoanel Norte sob, poderá oferecer graves risco de poluição por benzeno nas águas da região.

Outra preocupação, que vale para qualquer parte do Brasil, é com a proteção das áreas de recarga hídrica, que, segundo técnicos e cientistas que participaram do workshop, é tão ou mais importante que a proteção das nascentes. É que sem proteção do solo, para que haja infiltração de água e seu armazenamento, as nascentes, protegidas ou não, irão secar. O alerta está dado. E é para todos.

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