Integrantes de movimentos sociais, líderes sindicais, representantes da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), o governador Fernando Pimentel e parlamentares mineiros fizeram um grande ato em defesa de quatro hidrelétricas hoje sob concessão da Cemig nesta sexta-feira (18) na Usina de Miranda, em Indianápolis, no Triângulo Mineiro. O ato é contra a decisão do Governo Federal de leiloar as usinas.

O leilão está marcado para 27 de setembro e, segundo o governo, a expectativa é de arrecadar R$ 11 bilhões com o processo. No entanto, a empresa alega na Justiça o direito à renovação das concessões por 20 anos. Até agora, as ações impetradas no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) não foram julgadas.

Diante do impasse, movimentos sociais, políticos e representantes da Cemig criaram a Frente Mineira em Defesa da estatal e já realizaram diversas ações para impedir o leilão que, segundo o movimento, visa privatizar as usinas e pode refletir no aumento da conta de luz dos mineiros.

Durante o ato, lideranças políticas e empresariais assinaram uma carta aberta onde afirmam estar dispostos a defender o patrimônio da Cemig e propõem a renovação das concessões das usinas como o melhor caminho para todos. “É nosso direito manter o que já é nosso. Não venham com mão grande para estrangeiro comprar e vender energia cara para os mineiros”, disse o governador. O documento foi assinado por ele e também pelo presidente da Assembleia Legislativa de Minas, deputado Adalclever Lopes; o deputado federal Fábio Ramalho (PMDB-MG) e prefeitos de vários municípios.

Ainda no protesto, o deputado Rogério Correia (PT), presidente da Frente em Defesa da Cemig, entregou ao presidente da Assemleia um abaixo-assinado contra os leilões com a adesão de todos os 77 deputados estaduais e dos 53 deputados federais por Minas Gerais. Além disso, o parlamentar informou que a Cemig também está colhendo assinaturas e já conseguiu a adesão de 497 dos 853 prefeitos do Estado. Outro abaixo-assinado foi lançado na internet e já coletou mais de 35 mil assinaturas.

Pressão

Diante da pressão feita pela Frente, o Governo Federal admitiu na última quinta-feira (17) a possibilidade de suspender o leilão, caso a Cemig pague R$ 11 bilhões, valor que pretende arrecadar com a venda das usinas.

No entanto, segundo o presidente da Cemig, Bernardo Alvarenga, a proposta é injusta, ao considerar que a Cemig construiu, opera e mantém as usinas, que respondem por quase 50% da capacidade de geração da empresa. "Estamos sendo vítimas de uma ameaça sem igual em nossa história".

Alvarenga informou ainda que está buscando uma forma para arcar com o valor exigido pelo Governo Federal por meio de empréstimos, mas reforçou que a empresa tem o direito à renovação da concessão, conforme prevê o contrato assinado entre a estatal e a União.

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