O eletricista Milton Rodrigues dos Santos, 32 anos, foi vítima de grave acidente, no dia 3 de março. Mais uma vez os trabalhadores pagam o preço alto do processo de terceirização na Cemig. O eletricitário, juntamente com a equipe de serviços pesados da empreiteira Engelmig, foi convocado para fazer a emenda de um cabo de média tensão na zona rural de Formiga, na região Oeste de Minas. Quando se preparava para emendar o cabo, o poste DT 10-150 se partiu e caiu com o trabalhador, que estava a uma altura de aproximadamente oito metros.

Conforme apuração do Sindicato dos Eletricitários de Minas Gerais (Sindieletro), os companheiros de equipe acionaram o Corpo de Bombeiros e uma ambulância, mas como estavam em meio a uma plantação de eucalipto, não foram localizados pelos serviços de emergência.

Então, os trabalhadores o carregaram, segurando-o pelas pernas e braços por cerca de 200 metros, até encontrarem um trabalhador rural que estava de carro e que o levou para a Santa Casa de Formiga. Milton ficou internado por dez dias e foi submetido a cirurgia para a retirada do baço.

Quando voltou a Montes Claros, sua terra natal, Milton conta que sentia muitas dores na região da bacia. Procurou o médico e novos exames apontaram uma sequela do acidente. O cóccix do trabalhador está quebrado e ele ficará 90 dias afastado, de repouso, para a recuperação.

Ele trabalha na empreiteira há cinco anos e há dois exerce a função de eletricista, depois de passar por um curso de qualificação que durou 45 dias. Já na Cemig, um eletricista do quadro operacional só subir no poste após curso e estágio supervisionado por mais de um ano.

Empreiteira tem histórico de acidentes

Em 2016, o ajudante de eletricista, João Batista de Figueiredo Neto, então com 22 anos de idade, teve uma perna amputada e sofreu necrose na região cervical, consequências de choque elétrico quando fazia a pintura da numeração de um transformador energizado, na zona rural de Santo Antônio do Monte. Mesmo exercendo a função de ajudante, João foi escalado para executar uma tarefa exclusiva de um eletricista.

Sindicato cobra participação em comissões

O Sindieletro reivindica a participação nas comissões de análises de acidentes envolvendo trabalhadores terceirizados, conforme foi garantido pelo então presidente da Cemig, Mauro Borges. Porém, de acordo com o secretário de Saúde do Trabalhador do Sindieletro, Gilmar de Souza Pinto, a empresa não vem cumprindo com mais esse compromisso.

Por que não permitir a participação do Sindieletro? O que a empresa tem a esconder? Para Alair Magela, coordenador do Sindicato na Regional Oeste, a precarização dos serviços, a terceirização sem limites, a falta de controle e conhecimento dos processos de trabalho são ingredientes para o sucateamento da empresa.

Esta situação é o reflexo da falta de compromisso do governador Fernando Pimentel e da gestão da Cemig com os eletricitários, justamente em um momento crítico para a categoria, de anúncio de fechamento de dezenas de localidades, causando terror e apreensão entre os trabalhadores.

TRABALHADOR A SERVIÇO DA GASMIG SOFRE GRAVE ACIDENTE E NÃO RECEBE NENHUM APOIO HÁ MESES

Somente em março, o Sindieletro tomou conhecimento de acidente envolvendo um trabalhador da Poliútil Construções, terceirizada a serviço da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), pertencente ao grupo Cemig.

No dia 30 de novembro de 2017, José Renato dos Santos, de 51 anos, sofreu acidente de trabalho enquanto a equipe realizava a limpeza da tubulação com a utilização de PIG de espuma – um material inserido no início da linha, injetado com gás inerte, para limpar a tubulação por completo. Em um momento crítico do processo de limpeza da tubulação, o PIG foi inserido e, por conta da sujeira na tubulação, sua pressão inicial se tornou muito inferior à pressão final.

O trabalhador estava dentro da vala de trabalho, ao final da linha do duto. Como a empresa não seguiu as normas de segurança – uma vez que não deveria haver trabalhadores no final da linha -, o PIG chegou ao outro lado sem nenhum dispositivo de segurança para recebê-lo, e atingiu violentamente a perna direita de José, que caiu e ficou desacordado no mesmo instante.

Por conter resíduos na parte interna do tubo, o impacto resultou em ferimentos na perna do trabalhador e infecção em sua perna direita, causando em choque séptico. José Renato amputou as duas pernas e nove dedos das mãos. Atualmente, está internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) da Santa Casa. No momento, há o risco de perda de todos os movimentos do corpo.

Trabalhador não recebeu nenhuma ajuda

Os danos ao trabalhador são incontáveis e irreversíveis, uma vez que não é possível usar prótese na perna direita amputada (José foi amputado até a articulação) e, sem receber qualquer auxílio, José Renato passa por situações precárias para resolver seu problema. Tanto a Gasmig quanto a Poliútil, não prestaram qualquer tipo de assistência ao trabalhador e à sua família, que é do Alagoas e tem dificuldade de se estabilizar em Minas Gerais para apoiar José.

Apesar de ter trabalhado por dois anos na empresa terceirizada, apenas cinco meses de INSS foram pagos pela empresa. Logo, José teve seu pedido de auxílio-doença negado na Previdência Social. A empresa alega, equivocadamente, que os problemas de saúde do trabalhador decorreram da diabetes. Este posicionamento apenas reforça a vontade das empresas em não divulgar a questão e deixar o trabalhador e sua família à míngua, abafando a situação.

Como não há comprovação de vínculo com a Gasmig, a terceirização sai impune mais uma vez. Essa é mais uma das inúmeras provas de que a terceirização não é benéfica para o trabalhador, para a empresa ou para o consumidor. Neste caso, no momento do acidente, não havia treinamento adequado, nem fiscalização eficiente do processo.

Reforçamos que os acidentes de trabalho no grupo Cemig, principalmente relacionados a funcionários de empreiteiras, não são tragédias ou fatalidades, mas consequências da precarização do trabalho à qual os terceirizados são submetidos.

O Sindieletro está prestando suporte ao trabalhador e sua família, e enviou denúncias aos órgãos competentes. Continuamos acompanhando o caso e reivindicando um posicionamento das empresas Cemig e Gasmig.