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Mundo do Trabalho

03/08/2017
Petroleiros de todo País fazem ato na Bahia contra a privatização da Petrobrás na Bahia
por Thaís Mota
Petroleiros fizeram um grande ato com passeata até a portaria da RLam (Foto: Thaís Mota)

Petroleiros de todo o País fizeram um grande ato contra a privatização da Petrobrás na manhã desta quinta-feira (3) na Refinaria Landulpho Alves (RLam), no município de São Francisco do Conde, na Bahia. A mobilização da categoria marcou o início do XVII Congresso Nacional da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que acontece até o dia 6 de agosto em Salvador.

Segundo o coordenador da FUP, José Maria Rangel, o ato desta quinta é apenas mais um dos inúmeros movimentos que tem sido feito pelos petroleiros desde o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Isso porque, com Michel Temer na Presidência, a política até então praticada na Petrobrás sofreu grandes mudanças.

Ainda conforme Rangel, assim que Temer assumiu colocou no comando da Petrobrás, o ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso, Pedro Parente. Desde então, a política da empresa tem sido voltada para a venda de ativos, redução de pessoal a qualquer custo, diminuição da produção interna dando prioridade à importação de derivados de petróleo, tudo de forma a saldar parte da dívida da empresa e aumentar a rentabilidade dos acionistas.

Segundo a coordenadora do Sindicado Unificado dos Petroleiros de São Paulo, Cibele Vieira, atualmente, a produção das refinarias brasileiras está em 73% em relação à capacidade instalada e a RLam é uma das mais atingidas por essa política. "Hoje, a RLam é a refinaria com menor produção em relação à sua capacidade, ela opera em 59%", denunciou.

Além disso, trabalhadores de refinarias em todo o País estão mobilizados desde junho desde ano denunciando a redução do número mínimo de trabalhadores por equipe na operação das unidades. Sem qualquer participação dos sindicatos, a Petrobrás realizou estudos e iniciou uma diminuição das equipes em quase todo País. No entanto, após diversas ações judiciais, a empresa foi obrigada liminarmente a retomar os números praticados anteriormente e, devido à falta de pessoal, chegou a interromper parte de sua produção em algumas refinarias. Os dirigentes sindicais alegam que o corte nas equipes foi arbitrário, desrespeita o acordo coletivo da categoria e coloca em risco a vida dos petroleiros.

Congresso

O tema do Congresso da FUP esse ano é "Privatizar Faz Mal ao Brasil", retomando uma luta travada pelos petroleiros na década de 90, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso também apresentou um projeto de privatização da estatal. No entanto, segundo Rangel, agora o processo tem sido mais intenso.

"Naquela época, o projeto do FHC era para ser colocado em prática ao longo de 20 anos, então eles achavam que tinham tempo para fazer o desmonte. Agora, eles não sabem quanto tempo tem, pode ser até 2018, mas também pode ser amanhã. Então, assim que o Serra (José Serra) assumiu como senador por São Paulo, apresentou um projeto alterando a Lei da Partilha e, logo que Temer assume enquanto presidente golpista ele já colocou o texto em votação e já foi aprovado. Na sequência, ele colocou o Parente na presidência da Petrobrás para operar o desmonte da companhia".

Ele lembrou ainda que a estatal sempre esteve no centro dos golpes políticos do País e ressaltou que, como no passado, a resistência dos trabalhadores e a mobilização da sociedade são as únicas formas de reverter o desmonte da Petrobrás e retomar o papel da empresa como propulsora do desenvolvimento do País e da soberania nacional.

Durante os quatro dias de Congresso, os petroleiros irão debater a situação política do País e buscar formas de interromper o sucateamento que tem sido promovido na Petrobrás. Entre os palestrantes do evento estão o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Wagner Freitas, o ex-presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli.

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