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Movimentos

17/04/2017
MST inicia jornada de lutas em Minas com interdição de rodovias
por Com informações do MST
Integrantes do MST fecham rodovias mineiras em luta pela reforma agrária (Foto: MST/Divulgação)

Após ataque realizado há uma semana no Norte de Minas, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Minas Gerais iniciou nesta segunda-feira (17) a Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária com o fechamento de rodovias e a realização de atos todo o Estado.

Segundo nota divulgada pelo movimento, nestá manhã foram fechadas a BR-381, na altura do município de Frei Inocêncio, no Vale do Rio Doce e a BR-050, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Já na BR-040, em Simão Pereira, na Zona da Mata mineira, os sem-terra abriram a praça de pedágio e uma fazenda foi ocupada em Araupim, no Norde do Estado. A previsão é de sejam realizadas cerca de doze ações envolvendo nove regiões de Minas Gerais.

De acordo com Ênio Bohnenberger, da direção nacional do MST, o objetivo das atividades é trazer a atenção da população para a necessidade da Reforma Agrária. “De que reforma o Brasil precisa? Vamos às ruas mais uma vez, para dizer que a Reforma Agrária é a alternativa viável para o Brasil, porque gera trabalho, gera renda e aumenta da produção de alimentos saudáveis”.

A Jornada Nacional de Luta por Reforma Agrária acontece há 21 anos, marcando a data do Massacre de Eldorado dos Carajás, no qual 19 sem terras foram assassinados pela polícia, no Pará. Desde então, o MST realiza ações para denunciar a impunidade dos mandantes e as causas desse tipo de violência.

Ataque no Norte de Minas

No último dia 9 de abril, famílias do acampamento Alvimar Ribeiro foram recebidos a tiros na sede da Fazenda Norte América, em Capitão Enéas, no norte de Minas Gerais. Três pessoas foram baleadas e outras quatro ficaram feridas, inclusive crianças.

A fazenda tem 3 mil hectares e, segundo o MST, era improdutiva. Ela foi ocupada em janeiro deste ano e pertence ao grupo Sociedade Educativa do Brasil (Soebras). Atualmente, há 650 famílias acampadas no local e já produzindo.

Leonardo Andrade, sócio do ex-prefeito de Montes Claros, Rui Muniz, se identificou como proprietário da área e se dispôs a vender as terras ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Este deveria destiná-las à criação de um assentamento. No entanto, o caso não foi solucionado.

Conflitos agrários

Em 2016, o número de assassinatos causados por conflitos de terra foi o maior dos últimos 13 anos. De acordo com o relatório “Conflitos no Campo Brasil”, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), houve 60 mortes, um aumento de 20% em relação a 2015. Trata-se do ano mais violento desde 2003.

O dirigente nacional relaciona esse aumento da violência no campo com a situação política do Brasil. “Estamos assistindo uma série de contrarreformas sendo operadas por um governo golpista, à revelia da população. Deveriam ser todos presos, mas a impunidade para quem é rico e tem poder político permite a violência”, analisa.

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